O LIMIAR
THE THRESHOLD
- Leslie Freeman
Chega um momento em nossa jornada em que percebemos que não há lugar algum aonde chegar.
Com toda a nossa busca e esforço, estivemos tentando chegar exatamente aqui.
Essa percepção surge às vezes pela graça e, outras vezes, por um sofrimento que já não conseguimos suportar. Tornamo-nos mais honestos conosco mesmos.
Estamos cansados de nos sentir insatisfeitos com a vida. Estamos cansados de desejar que nossos pais tivessem sido diferentes, que nossos parceiros fossem diferentes, que o mundo fosse mais compassivo com a nossa dor.
Percebemos que culpar o passado não nos libertou.
Culpar os outros não nos curou.
Culpar a nós mesmos não nos purificou.
E começamos a perceber como o instinto de provar, proteger ou defender a nós mesmos organizou a nossa vida. ⇒Percebemos como buscamos admiração, como queremos ter razão, como tentamos assegurar o amor e garantir o sentimento de pertencimento.
Percebemos como construímos identidades a partir de nossas feridas e como estratégias que um dia nos protegeram continuam a nos manter pequenos.
Percebemos que proteção não é liberdade.
Pedimos permanecer nessa visão.
Pedimos ver sem desviar o olhar.
Geralmente, algo surge para interromper o padrão — um conflito, uma perda, um esgotamento, um despertar. Quando isso acontece, pedimos que possamos nos tornar presentes. Não espiritualmente inflados, nem uma versão idealizada de nós mesmos — simplesmente presentes.
Que possamos receber a interrupção como um convite para olhar para dentro.
Que deixemos de esperar ser resgatados.
Que possamos abandonar a exigência de que os outros mudem para que nos sintamos inteiros.
Que deixemos de situar nossa felicidade no futuro.
Que abramos a porta para a autorresponsabilidade.
Que reconheçamos que a vida sempre esteve nos sustentando. ⇒Este limiar não é uma terra prometida.
Não é um futuro distante.
Ele está aqui.
Aqui, que possamos aceitar a nós mesmos.
Que possamos abraçar nossa própria luz e sombra, força e medo, amor e limitação.
Que possamos acolher a vida como ela é, com humildade e alívio.
Que possamos confiar no desdobramento sagrado da existência.
Que possamos sentir plenamente e agir a partir do amor.
Que possamos viver a partir do que é verdadeiro.
Que possamos começar a experimentar a liberdade de permitir que tudo seja exatamente como é.
Por meio do autoconhecimento, que possamos continuar a evoluir,
E que nos lembremos de que cada passo nos conduziu a este momento.
Que nossa maturidade se aprofunde,
E que nossa liberdade se torne uma bênção para o mundo.
Amém.
There comes a moment in our journey when we realize that there is nowhere to get to.
With all our seeking and striving, we have been trying to arrive here.
This realization comes sometimes through grace and sometimes through suffering that we can no longer tolerate. We become more honest with ourselves.
We are tired of feeling dissatisfied with life. We are tired of wishing our parents had been different, our partners were different, that the world was more sympathetic to our pain.
We see that blaming the past has not freed us.
Blaming others has not healed us.
Blaming ourselves has not purified us.
And we begin to see how the instinct to prove, protect, or defend ourselves has organized our lives.
We see how we seek admiration, how we want to be right, how we try to secure love and guarantee belonging. ⇒We see how we make identities out of our wounds, and how strategies that once protected us keep us small.
We see that protection is not freedom.
We ask to stay in this seeing.
We ask to see without turning away.
Usually, something comes to interrupt the pattern—a conflict, a loss, an exhaustion, an awakening. When it does, we ask that we may become present. Not spiritually inflated, and not an idealized version of ourselves—simply present.
May we receive the interruption as an invitation to look within.
May we stop waiting to be rescued.
May we release the demand that others change so we can feel whole.
May we stop locating our happiness in the future.
May we open the door to self-responsibility.
May we recognize that life has always been holding us. ⇒This threshold is not a promised land.
It is not a distant future.
It is here.
Here, may we accept ourselves.
May we embrace our own light and shadow, strength and fear, love and limitation.
May we welcome life as it is, with humility and relief.
May we trust the sacred unfolding.
May we feel fully and act from love.
May we live from what is true.
May we begin to experience the freedom of allowing everything to be as it is.
Through self-knowledge, may we continue to evolve,
And may we remember that every step has led us to this moment.
May our maturity deepen,
And may our freedom become a blessing to the world.
Amen.
refrain, sung twicerefrain, sung three or more times